Roku Gin 700 ml: o gin japonês que tenta aparecer pela delicadeza
O Roku não é simplesmente “um gin japonês”.
A ideia do produto é mais específica: pegar a estrutura de um gin tradicional e colocar nela botânicos japoneses suficientes para mudar a personalidade da bebida sem fazer o gin deixar de ser gin.
É daí que vêm flor e folha de cerejeira, chá sencha, chá gyokuro, pimenta sansho e casca de yuzu.
A marca diz que esses seis botânicos japoneses são combinados com outros oito tradicionais.
Ou seja:
Roku não tem seis botânicos no total. Tem 14 botânicos declarados, sendo seis japoneses.
Essa é uma diferença importante porque explica muito melhor o produto do que simplesmente dizer que ele “leva ingredientes japoneses”.
O que os seis botânicos japoneses mudam
A Suntory organiza esses ingredientes quase como uma história das estações do ano:
na primavera, flor e folha de cerejeira;
no verão, os chás sencha e gyokuro;
no outono, pimenta sansho;
no inverno, yuzu.
Isso é parte da apresentação da marca, mas ajuda a entender a proposta.
O Roku não quer colocar uma única nota diferente no gin.
Ele quer formar um conjunto com elementos florais, cítricos, herbais, de chá e de especiaria.
A Suntory descreve aroma com flor de cerejeira e chá verde, paladar com destaque para yuzu, textura suave e um final com pimenta sansho.
Não provamos a garrafa nesta pesquisa.
Mas, se você está tentando entender por que alguém escolheria Roku em vez de Tanqueray, é aqui que está a resposta.
Roku é menos “gin”?
Não.
O fabricante deixa claro que existem outros oito botânicos tradicionais além dos seis japoneses.
Também menciona o zimbro como parte central do estilo.
Portanto, seria errado tratar Roku como uma bebida aromatizada em que o gin desapareceu.
A diferença é que os botânicos japoneses foram transformados em protagonistas da comunicação.
Tanqueray diz:
“olhe para meu gin clássico”.
Roku diz:
“olhe para o que o Japão acrescentou ao gin”.
Como ele é produzido
A Suntory descreve colheita sazonal dos botânicos e formas de extração adaptadas aos diferentes ingredientes.
Também fala em quatro alambiques de formatos diferentes.
Isso não é a mesma coisa que as “quatro destilações” declaradas no Tanqueray.
São informações diferentes e não servem para dar quatro pontos para um e quatro pontos para outro.
No Roku, a história é que diferentes botânicos pedem tratamentos diferentes antes de os destilados serem combinados.
Não temos proporções, temperaturas ou a receita industrial completa.
E a garrafa?
Aqui o Roku tem uma apresentação que participa da experiência de compra.
A garrafa é hexagonal, em referência aos seis botânicos japoneses, e a própria Suntory destaca detalhes visuais ligados a esses ingredientes.
Para quem compra gin para deixar no bar de casa ou para presentear, isso pode importar.
Não muda o líquido.
Mas produto também é experiência de compra, e o Roku claramente investe nessa parte.
O teor alcoólico brasileiro
O Roku padrão vendido fora do Japão é divulgado pela marca com 43% de álcool.
No Japão, existe apresentação de 47%.
Isso ajuda a explicar por que uma pesquisa na internet pode trazer os dois números sem que necessariamente exista erro.
A versão brasileira de 700 ml desta comparação aparece com 43% nos cadastros pesquisados.
E vale prestar atenção para não misturar essa garrafa com edições especiais, tamanhos diferentes ou versões japonesas.
Como a marca sugere beber
A Suntory apresenta gin-tônica com gengibre.
Também apresenta Roku em Negroni.
O gengibre faz sentido como proposta de marca porque conversa com o perfil aromático e especiado que o Roku tenta construir.
Existe inclusive um comentário público em loja de uma pessoa que preferiu o Roku em drinks mais leves e achou que Campari escondia parte de suas notas no Negroni.
Isso não significa que Roku “não funciona em Negroni”.
A própria marca recomenda o drink.
Significa apenas que um gin mais delicado pode agradar mais em preparos que deixem essas diferenças aparecerem.
Então qual parece ser o melhor tipo de drink para Roku?
Se a intenção é perceber a personalidade do gin, faz sentido pensar primeiro em drinks mais limpos.
Gin-tônica é o exemplo óbvio.
Um Highball simples ou outra combinação que não coloque ingredientes extremamente dominantes também tende a deixar mais espaço para o destilado.
Já num coquetel muito amargo, doce ou carregado, parte da justificativa de pagar mais pelos botânicos diferentes pode desaparecer.
Não é uma regra.
É apenas a consequência lógica de comprar justamente um gin cuja proposta é oferecer nuances de aroma e sabor.
O preço é o ponto difícil
Aqui o Roku enfrenta seu maior problema na comparação.
Nas páginas pesquisadas, o Roku ficou numa faixa bem mais cara que a do Tanqueray, mesmo descontando as páginas esgotadas ou antigas.
O Tanqueray apareceu bem abaixo.
Então não estamos diante de dois gins que custam praticamente a mesma coisa.
O Roku precisa convencer o comprador a pagar pelo que ele oferece de diferente.
O que os compradores comentaram
Uma loja tinha uma pequena amostra de avaliações.
Entre os relatos recuperados, apareceram elogios de aroma e suavidade, além de preferência por usar o gin em misturas mais leves.
Também havia um relato de vazamento durante o transporte, que não pode ser transformado em defeito recorrente da embalagem.
É uma amostra pequena.
Serve para enriquecer a leitura, não para proclamar consenso.
Onde o Roku acerta
Na personalidade.
Ele oferece uma justificativa fácil de compreender para ser diferente:
- yuzu;
- chás japoneses;
- cerejeira;
- sansho;
- apresentação marcante;
- uma proposta mais delicada e aromática.
Você não precisa conhecer química ou destilação para entender o apelo.
Onde ele pode frustrar
Principalmente no preço.
Se você vai colocar o gin em drinks muito intensos, talvez pague mais por diferenças que depois ficam pouco perceptíveis.
E se o que você gosta é justamente aquele perfil mais clássico e marcado de London Dry, o Tanqueray pode entregar isso gastando bem menos.
Para quem o Roku faz mais sentido
Ele é especialmente interessante para quem:
- já conhece gins tradicionais e quer experimentar algo diferente;
- gosta de cítricos e notas de chá;
- valoriza um gin aparentemente mais delicado na proposta;
- costuma preparar drinks em que o próprio gin continua perceptível;
- valoriza apresentação e garrafa;
- aceita pagar mais por uma proposta menos tradicional.
Roku não é uma versão japonesa do Tanqueray.
É justamente o contrário.
Ele tenta mostrar como um gin pode continuar reconhecível como gin e, ao mesmo tempo, ganhar outra personalidade.

